terça-feira, 8 de maio de 2012

8 de Maio - O dia da Vitória




“A Guerra na Europa terminou no dia 8 de maio de 1945, com a rendição das tropas nazistas no Teatro de Operações da Alemanha.
A Força Expedicionária que representou o Brasil nesta sanguinolenta guerra, cumpriu galhardamente a missão que lhe foi confiada, mercê a Deus e a despeito de condições e circunstâncias adversas. Num terreno montanhoso, a cujos píncaros o homem chega com dificuldade; num inverno rigoroso que a totalidade da tropa veio enfrentar pela primeira vez e contra o inimigo audacioso, combativo e muito instruído, podemos dizer assim mesmo, e por isso mesmo, que os nossos bravos soldados não desmereceram a confiança que neles depositavam os seus chefes e a própria Nação Brasileira.
Após oito meses de luta, em que, como todos os Exércitos, sofremos pesados reveses e obtivemos brilhantes vitórias, o balanço de uns e outros é ainda favorável às nossas armas. Desde o dia 16 de setembro de 1944, a F.E.B. percorreu, conquistando ao inimigo, às vezes, palmo a palmo, cerca de quatrocentos quilômetros de Lucca e Alessândria, pelos vales dos rios Sérchio, Reno e Panaro e pela Planície do Pó; libertou quase meia centena de vilas e cidades; sofreu mais de duas mil baixas, entre mortos, feridos e desaparecidos; fez o considerável número de mais de vinte mil prisioneiros, vencendo pelas armas e impondo a rendição incondicional a duas divisões inimigas. É um registro deveras honroso e de vulto para uma Divisão de Infantaria.
Regressamos com feridos ainda sangrando dos últimos encontros, mas, nunca, pela nossa atuação, o prestígio e nome do Brasil periclitaram ou foram comprometidos.
É bem verdade, e vale a pena afirmar, que preço bem alto pagamos por esse resultado. O sangue dos nossos bravos camaradas tingiu de vermelho essas belas verde-escuras montanhas dos Apeninos e algumas centenas dos nossos valentes companheiros já não retornarão à Pátria conosco, porque dormem o sono eterno, sob as terras úmidas e verdejantes das Planícies da Toscana.
Oficiais e Praças da Força Expedicionária Brasileira!
Total dos mortos da F.E.B.: 443, dos quais 364 em ação de combate.
Total dos feridos em ação de combate: 1.577.
Total dos acidentados: 1.145, dos quais 487 em ação de combate.
E com orgulho sem jactância, e confiança sem exageros, retornemos aos nossos lares, aos nossos quartéis e postos de trabalhos, para prosseguirmos na faina sagrada de fazer um Brasil forte e respeitado, num mundo livre e feliz.”

Goiânia, 08 de Maio de 2012

(A.F.E.B. PELO SEU COMANDANTE
MARECHAL JOÃO BATISTA MASCARENHAS DE MORAES)

terça-feira, 3 de abril de 2012

A TRAVESSIA DO ATLÂNTICO

























Assim, na noite de 29/30 de Junho de 1944, os Grupamentos n°s 1 e 3 seguiram em composições ferroviárias, movimentando-se respectivamente para Santa Cruz e Recreio dos Bandeirantes. O outro Grupamento, o de n°2, não se deslocou para Nova Iguaçú, sua região de primeiro destino no Plano de Monobras. Transportou-se diretamente nas noites de 28/29, 29/30 e 30/1° de Julho para o Cais do Porto, em composições sucessivas e tomando todas as cautelas para a manutenção do segredo.
Os carros das composições seguiram de luzes apagadas e suas janelas permaneceram cerradas até o final da viagem.
A área de embarque, no Cais do Porto, fora completamente  isolada, com larga antecedência de tempo.
Bagagem de 2ª urgência.
Os demais Escalões de Embarque, utilizando processo semelhante, partiram nas condições abaixo:
1° Escalão de embarque: A 2 de Julho de 1944, pelo “General Mann”, sob o comando do general Zenóbio da Costa, tendo chegado a Nápoles em 16 de Julho.
Antes da partida do “General Mann”, ainda na noite de 30 de julho, o presidente Getúlio Vargas compareceu a bordo, acompanhado do general Eurico Dutra, Ministro da Guerra.
Vinham as duas altas autoridades assistir a essa delicada operação de guerra, que pela primeira vez se fazia no Brasil.
Nessa ocasião, o Chefe de nosso Governo dirigiu, pelo microfone de bordo, as seguintes palavras de despedida à tropa:
“Soldados do Brasil: O Presidente da República aqui veio, acompanhado do Ministro da Guerra, para trazer-vos os votos de feliz viagem. E, não podendo fazê-lo pessoalmente a cada um, o faz por meio deste microfone.
É sempre uma glória lutar-se pela Pátria e por um ideal. O Governo e o povo do Brasil vos acompanham em espírito na vossa jornada e vos aguardam cobertos de glórias.”
Às 6.30 horas do dia 2 de Julho começou o transporte de guerra a desatracar.
Do Corcovado, circundado de bruma, emergia o Cristo Redentor, fitando os seus fiéis que para outras terras partiam co o objetivo de, ombro a ombro com os nossos aliados, defender o rico patrimônio da civilização cristã.

terça-feira, 6 de março de 2012

Os pracinhas a caminho da Itália



O SIGILO DO EMBARQUE
DA FEB

Fôra o general Mascarenhas de Moraes, nos últimos dias de Maio de 1944, informado oficialmente da probabilidade de embarque para além-mar de um primeiro escalão de forças, provavelmente na segunda quinzena de Junho.
Dada a evidente necessidade de que o próprio preparo do embarque ficasse envolto em sigilo, planejou-se a instrução de modo capaz de desviar, tanto quanto possível, o conhecimento da operação em projeto.
Complementarmente, as ligações indispensáveis com um “Estado Maior Especial” foram efetuadas, bem como acertadas as providências imprescindíveis.
Em harmonia com o plano de embarque, fixou o chefe divisionário brasileiro, na sua Diretiva para a Instrução da D.I.E., de 31-V-944, os limites de duração do 2° período de instrução.
Limitado esse período entre 5 de Junho e 8 de Julho, tudo de 1944, o general Mascarenhas de Moraes estava enquadrando a época provável de nosso transporte para o Teatro do Mediterrâneo. Além disso, a citada Diretiva precisava a constituição de três Grupamentos Tácticos, com base em um Regimento de Infantaria, e uma série de exercícios de conjunto destinados a flexionar a Divisão.
Findaria o segundo período de instrução com um tempo de manobras.
Ao aproximar-se a época prevista para as manobras, o comandante da 1ª D.I.E. pormenorizou a sua realização, através das Diretivas de 26 e 27 de Junho.
E assim, na noite de 29/30 de junho, ainda em plena ignorância de toda a verdade, os três Grupamentos partiram para as regiões anteriormente fixadas:
Grupamento n° 1: região de Santa Cruz:
Grupamento n° 2: região de Nova Iguaçú e
Grupamento n° 3: região de Recreio dos Bandeirantes.
Os movimentos foram iniciados às vinte horas.
Não seguiu, todavia, o Grupamento n° 2 comandado pelo general Euclydes Zenóbio da Costa, para a região prevista. Movimentou-se em sete composições sucessivas para o Cais do Porto, a fim de proceder ao embarque com destino ao teatro da guerra.
A situação dos Grupamentos n° 1 e 3 relativamente ao adestramento militar, não se modificou.
Prosseguiu a instrução segundo os planos traçados com apreciável antecedência, praticando-se exercícios proveitosos, particularmente no âmbito dos citados Grupamentos Táticos.
Mais tarde, em Setembro de 1944, os outros dois Grupamentos (n° 1 e 3) embarcaram no Cais do Porto do Rio de Janeiro, rumando para Nápoles.   

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

1° Escalão desfila no Rio Janeiro


















AS GRANDES DIFICULDADES DE ORGANIZAÇÃO 
F.E.B.


Segundo Marechal João Batista Mascarenhas de Moraes



Numerosos e difíceis foram os obstáculos à tarefa de se organizar uma força expedicionária de acordo com os moldes norte-americanos.
Há longos anos o Exército Brasileiro vinha sendo instruído por uma operosa missão militar francesa.
Sua organização, seus regulamentos e seus processos de combate eram baseados na chamada “escola francesa”. De repente, quase da noite para o dia, dentro da antiga moldagem, e no quadro da doutrina gaulesa, surgia a tarefa de constituir uma Divisão de Infantaria, com a organização norte-americana. E, além disso, instruí-la e adestrá-la segundo os métodos, processos e meios norte-americanos.
Somente quem nunca se viu a braços com problemas análogos pode ignorar as dificuldades, as incompreensões e choques daí decorrentes.
A nova organização exigia a criação de órgãos absolutamente novos e a revisão quase revolucionária de princípios, há muito firmados em nosso meio militar.
O problema consistiu em fazer sair, de um maquinismo montado à francesa, uma Força Expedicionária que funcionasse à americana.
Outra dificuldade por vencer foi a seleção física do pessoal.
O Brasileiro, de um modo geral, não é um homem robusto, embora seja resistente.
A este embaraço inicial, adicionava-se a necessidade de uma seleção, visando à escolha de homens aptos para o combate em clima e ambiente totalmente diversos daqueles a que estavam habituados.
A questão da robustez física do expedicionário era, em última análise, fundamental.
Verificáramos, meditando sobre o feliz sucesso das então recentes operações extra-continentais, que os norte-americanos se adaptavam com certa facilidade a todos os climas.
Qualquer que fosse a área da Europa, África, Ásia e América, sob temperaturas elevadas ou intenso frio, realizaram satisfatoriamente as missões que lhes foram confiadas, sem visível perda de rendimento físico. Desta meditação decorrerá o ensinamento de que as ações militares contemporâneas repousam na constante robustez física dos homens.
Outra dificuldade de vulto, que desde logo preocupou o comando da tropa expedicionária, decorria da disseminação, em quatro Regiões Militares, das Unidades componentes da 1ª D.I.E.
A situação desses elementos da F.E.B. implicava, como corolário inevitável de uma distribuição dispersiva no território nacional, uma subordinação administrativa e disciplinar aos comandos daquelas Regiões Militares. Tal dependência, sem dúvida, iria refletir-se em muitos aspectos da instrução especial desses elementos e, sobretudo, nas transformações por que teriam de passar sob a direta responsabilidade do general Mascarenhas de Moraes.
As dificuldades já enumeradas somavam-se duas outras, a absoluta insuficiência do material de guerra americano entre nós e a inexistência de um uniforme adequado ao futuro teatro de operações.
Antes da Segunda Guerra Mundial, o Exército Brasileiro adquiria a totalidade de seu aparelhamento bélico na Europa, o que significa afirmar que não havia, entre os reservistas convocados e os soldados aproveitados na F.E.B., elementos que houvessem visto, pelo menos, o material que iriam utilizar. Mesmo entre os oficiais, aqueles que o conheciam constituíram uma minoria insignificante.
Daí a necessidade do adestramento militar ter que começar pelo que havia de mais elementar na instrução individual.
E o material para isso era escassíssimo, e obrigava, em conseqüência, a verdadeiros milagres de revezamento.
Relativamente à falta de uniformes adequados ao uso em território europeu, basta declarar que foi necessário uniformizar a F.E.B., sem que praticamente pudesse ser aproveitada uma só peça de material existente nos Depósitos do Exército.
Cumpre assinalar, a esta altura da exposição acerca de nossas dificuldades iniciais, a assistência valiosa prestada à F.E.B., desde janeiro de 1944, por um operoso grupo de oficiais do Exército dos Estados Unidos, aos quais muito ficamos a dever, particularmente no que se relaciona com a prática do material e com o conhecimento da organização americana.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Parabéns Edson Dias Soares!!!

























Edson Dias Soares, herói da Segunda Grande Guerra Mundial.
Se estivesse vivo, completaria hoje 93 anos.

23 de Fevereiro de 1945, Edson escreveu em seu diário no decorrer da Guerra:
"Dia 23 de Fevereiro, sexta feira dia de meu aniversário, completei 26 anos, após o rancho fui fazer uma limpeza na área do rancho, depois tomar conta de uma turma para levar pedras, assim me virei até meio dia, à tarde na barraca vizinha houve uma alteração, o capitão recolheu um, e mesmo assim a noite sair para  tomar um vinhozinho, a turma: eu, sargento Celson, Oliveira, Ausgusto e Fazendeiro, arranjamos um jantar de 8 ovos com pulenta, paguei 460 liras, só assim se ver o absurdo que existe aqui, tudo isso causado pela guerra, e assim passei mais um dia na Itália.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Presidente Vargas decreta a mobilização geral




Decreto n° 10.451 – de 16 de setembro de 1942
  
“Decreta a mobilização geral.
O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 74, letra f, da Constituição, decreta:
Art. 1° É nesta data ordenada a mobilização geral em todo o território nacional em virtude do Estado de Guerra declarado pelo decreto n° 10.358, de 31 de agosto de 1942.
Art. 2°. Os reservistas das Forças Armadas aguardarão, para se apresentarem às suas corporações, ordem de chamada expedida pela autoridade competente.
Parágrafo único. A partir da data deste decreto todos os brasileiros, natos e naturalizados, são obrigados, exceto os legalmente isentos, ao exercício do dever cívico da defesa nacional.
Art. 3°. Os Ministérios e demais órgãos da administração pública federal, estadual e municipal tomarão as medidas que se impuserem no domínio econômico, militar, científico, da propaganda, da mão-de-obra e do trabalho necessários à defesa do território nacional.
Art. 4°. Revogam-se as disposições em contrário.
Rio de Janeiro, 16 de setembro de 1942, 121° da Independência e 54° da República – Getúlio Vargas – Alexandre Marcondes Filho – A. de Souza Costa – Eurico G. Dutra – Henrique A. Guilhem – João de Mendonça Lima – Oswaldo Aranha – Apolónio Salles – Gustavo Capanema – J.P. Salgado Filho.”
(Diário Oficial de 18 de setembro de 1942).